Cordel da Mana Chica
Segundo Orávio de Campos
Professor e pesquisador,
da região do Caboio
Surgiram modinhas de dor.
Da beirada do mar,
Até as divisas do reino
É branco, é preto a sonhar
Versos colhidos por Alberto Lamego
no Solar da Planície dos Airizes
Mariana Francisca
é daí que vem as raízes,
é de lá que vem o canto
é um sonho,um encanto
Mana Chica moça bonita
emérita dançadeira.
Cantigas e modas de amar
Pra cantar a noite inteira
e da senzala nem precisa falar
o negro faz a quizombeira.
É semelhança incrível
com as da quadrilha do branco
o diferente está no ritmo
Diabóli-camente irresistível
Frente a frente os pares se alinham
À Guiza de chocalhos, ressoam
como ásperos maracás.
Os cantadores abrem a cantinela
Os olhos do branco grudam
na carne preta dela
Aí vem a Mana Chica, mana chica do caboio,
Melodia charmosa, chorosa e envolvente.
É mistura de gargalhada e lamento
Com o compasso quente
É à força da criação festiva
dos extratos sociais
É cultura realmente
É o canto do canto
mais baixo da sociedade de então
É a marcha inculta do operário agrícola!
Do nego, da nega que dança.
Que amansa o labutar nos canaviais
É o choro cantado que avança
E para o campista saber
Isso é nossa cultura de raiz
É conhecendo seu passado
que o homem vive feliz
Lagoa de cima, lagoa feia.
É o Rio Paraíba no Fado.
Ai vem a mana chica
mana chica vou cantar
Giro danço bato palmas
e minha cidade a encantar.
Pra você que ta me ouvindo
Cante para reviver
E assim vou me despedindo.
Salvadora Cruz
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